9

9 surge do hábito que adquiri em meu processo de criação, de olhar para as coisas ao meu redor e nelas vislumbrar formas e movimentos que me remetem a outras formas e movimentos, por associação ou semelhança.

A partir deste primeiro insight, um universo de manifestações se desencadeia, dando início ao processo de construção das imagens, recontextualizando os objetos (coisas observadas), resgatando-os do utilitário cotidiano e os ressignificando numa nova abordagem conceitual.

9 compõe-se de 2 instalações paralelas e complementares, associadas ao número 9. Por que nove?

Porque 9 constitui o número de movimentos observados no saca-rolhas da marca Tramontina que há algum tempo caiu em minhas mãos e com o qual fiquei algumas horas brincando e observando.

O formato do saca-rolhas e seus movimentos de abrir e fechar os braços remeteu-me à forma humana dinâmica de fechando os braços como nos movimentos respiratórios de inspiração/expiração dos exercícios de pranayama da Hatha Yoga.

Partindo desta constatação e do número 9 por inspiração, busco compor todas as relações que se estabelecem nas 2 instalações e porque também 9 são os números inteiros que compõem a base de todos os conjuntos matemáticos.

A espiral, cujo formato acolhe minha primeira instalação com 9, constitui o suporte da primeira instalação e será composta pela justaposição de 72 cubos de 20 x 20 cm dispostos em uma base de 144 cm de altura e onde serão fixados os 72 saca-rolhas no movimento de abrir e fechar os braços.

Na instalação paralela, 2 grupos de 9 “caras”, num total de 18, constituirão os 2 braços de uma coreografia de abraço coletivo, onde constituiu-se uma pequena multidão composta de diversos objetos que, pela semelhança, associam-se ao rosto, cabeça, ombro e braços humanos.

Este grupo, disposto sobre bases de 90 cm de altura, desenhará dois semicírculos que, ao se unirem, simbolizarão cada figura central, caracterizando nossas infinitas possibilidades de individuação.

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